Tópico em Teologia: Perspectivas Teológicas e Tentativas de Respostas para a questão do sofrimento

SEMINÁRIO TEOLÓGICO BETEL

TÓPICOS EM TEOLOGIA

PR. HENRIQUE RIBEIRO DE ARAUJO

PERSPECTIVAS TEOLÓGICAS E RESPOSTAS CRISTÃS PARA O SOFRIMENTO:

Uma breve análise das teologias da Esperança, da Alegria e da Libertação e suas possíveis explicações para o sofrimento

 

“Pare de Sofrer!” é uma temática atrativa de uma das igrejas que mais cresce no Brasil e no mundo hoje.[1]Ninguém gosta de sofrer. Ninguém quer sofrer. Ninguém acha que é merecedor de sofrimento. Esta é a verdade. Mas muitos sofrem e, aparentemente não mereciam este sofrimento. O pai trabalhador que ao chegar em casa encontra um filho que estava saudável, morto, por um acidente doméstico. A mulher fiel cristã que vê seu bebê nascer com uma doença incurável e morrer aos dez anos de idade.[2]O jovem que no auge da sua mocidade é atingido por uma bala perdida.  Todos sofrem e sofrem muito.[3]

Luciana estava na lanchonete da universidade em que estudava.[4]Viçosa e cheia de vida esbanjava felicidade quando uma bala perdida a atingiu por um assassino do morro do Turano. Ficou tetraplégica. Tem  a Teologia respostas para o sofrimento? Deus se importa com seu sofrimento? É possível ter alegria em meio a tanto sofrimento? Como pode o próximo partilhar de seu sofrimento? Estas perguntas rodeiam àqueles que estão passando por algum tipo de sofrimento seja ele mental, espiritual, emocional, físico ou de outra natureza quaisquer.[5]

O tema do sofrimento não é novo, mas estará sempre em pauta com seu quinhão de importância por fazer parte da vida de todo ser humano.

            Deus sofre? Se a resposta for afirmativa, cria-se imediatamente um ponto de contato entre Deus e a dor dos seres humanos. De acordo com essa ótica, não é possível pensar que Deus seja imune ao sofrimento de sua criação. Isso teria importantes implicações em razão de seus reflexos sobre a questão do mal e do sofrimento.[6]A visão grega clássica defendia a chamada “impassibilidade de Deus”. Um deus, para ser perfeito e imutável, deve ser ausente de paixões e sentimentos. Platão e Aristóteles cerravam fileiras neste argumento. Filo foi o escritor responsável pela incorporação da doutrina da impassibilidade no cristianismo.[7]Para Filo “era inadmissível a idéia de que Deus pudesse sofrer”.[8]Anselmo e Tomas de Aquino lhe seguiram.

            Lutero, com sua “teologia da cruz” apresentou o Deus crucifixus (“Deus crucificado”) que reconhece a presença oculta de Deus no sofrimento e na humilhação da cruz de Cristo. Tese que Moltmann desenvolveu amplamente. Moltmann argumenta que um Deus incapaz de sofrer é um Deus incompleto e não um Deus Perfeito.[9]Kazoh Kitamori, escritor japonês, autor da A theology of the pain of God (1946) argumentou que o verdadeiro amor tem raízes na dor, inspirando-se intensamente na teologia da cruz de Lutero.

O presente artigo se prestou a apresentar três perspectivas teológicas sobre alguns aspectos do sofrimento. A perspectiva da Teologia da Esperança com seu expoente Jürgen Moltmann abordando como Deus se importa com o sofrimento através da paixão de Cristo; a Teologia da Alegria com John Piper ressaltando a que o cristão pode encontrar alegria em meio ao sofrimento e; a Teologia da Libertação através do ponto de vista de Leonardo Boff analisando a participação de Deus no sofrimento dos pobres e sua identificação com o sofrimento de Cristo e ação e envolvimento que cada um deve ter face aos oprimidos e sofredores. Sob o foco destas filigranas teológicas objetivou-se apresentar uma proposta para uma postura cristã em meio ao sofrimento hoje.

À luz dos materiais já publicados o método desenvolvido foi o indutivo. O artigo foi delimitado nestas três perspectivas teológicas dos referidos autores por serem de pontos de vista diferentes e responderem satisfatoriamente aos problemas apresentados.

            Um “clássico do sofrimento” é a obra de Kushner: “Quando coisas ruins acontecem às pessoas boas”.[10]O rabino Kushner e sua família recebem a notícia de que seu filho tem uma doença incurável, envelhecimento precoce. Kushner faz suas orações e todos os esforços que estão à sua disposição, mas na adolescência seu filho morre. A partir de então Kushner passa a refletir mais sobre o sofrimento e, posteriormente, escreve sua obra.

            Para Kushner não deve haver uma “idéia meritória” de que Deus dá o sofrimento porque a pessoa merece.[11]Não deve também ser aceita a idéia de que o sofrimento é uma contribuição para uma grande obra[12]projetada por Deus.[13]A maneira de Kushner responder ao sofrimento é que há algumas coisas que ocorrem ao acaso[14]e fogem ao controle de Deus.[15]Deus não é onipotente.[16]Ele não pode fazer tudo, mas faz coisas muito importantes.[17]Os milagres não são respostas de oração, pois Deus não interfere nas leis naturais.[18]

            Estaria Kushner correto?

 

Jürgen Moltmann e a perspectiva da Teologia da Esperança sobre o a ação de Deus em meio ao Sofrimento

            Moltmann é um dos teólogos europeus mais inovadores da atualidade.[19]Ele foi um prisioneiro de guerra alemão nos campos da Escócia que viu de perto as marcas do sofrimento. Iniciou seus estudos no campo de prisioneiros decidido a concluir quando regressasse para a Alemanha. Uma pergunta o levava a meditação profunda: “Como se falar de Deus depois de Auschwitz”?[20]

            A experiência vívida e indelével da 2a. guerra mundial impeliu Moltmann a um estudo profundo sobre o sofrimento. Para Moltmann tornou-se impossível não se falar de Deus depois de Auschwitz. Deus se importa com o sofrimento e isto ficou muito claro na paixão de Cristo.

Antes da crucificação pensava-se na theós apathés.[21]Porém para Moltmann “Se Deus é incapaz de padecer, a paixão de Cristo deve considerar-se logicamente como uma tragédia meramente humana”.[22]

            Para Moltmann Deus não planejou necessariamente a morte de Cristo na cruz do calvário, mas “as escolhas de Jesus O levaram à cruz”.[23]Na cruz Deus sofre. Deus luta com Deus. Deus morre em Deus no abandono de Jesus por Deus para ser o Pai de todos os abandonados. O Jesus moltimaniano é para a esperança não só consolo em meio à dor, mas também o protesto da promessa de Deus contra o sofrimento.[24]

O sofrimento na paixão de Cristo pode ser compreendido através da paixão do Deus apaixonado.[25]A palavra “paixão” aqui se refere a sofrimento e sentimento. Deus é impassível, mas não em absoluto, pois senão seria incapaz de amar.[26]Se Deus é capaz de amar aos outros, está exposto aos sofrimentos que lhe acarretará este amor. Mas este mesmo amor não O permite sucumbir à dor. Deus não sofre, como a criatura, por carência de ser. Neste sentido sim é impassível. Deus padece por efeito de seu amor, que é o transbordar de Seu ser. Neste sentido Deus está sujeito ao sofrimento.

Jesus chorando em Jerusalém evidencia a paixão Divina: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!”.[27]Esta linguagem antropomórfica é um indicativo da paixão divina”.[28]

A paixão histórica de Cristo revela a paixão eterna de Deus.[29]No sofrimento de Cristo na cruz do Calvário é possível encontrar o Santo Deus sofrendo junto com o homem[30]na dor do abandono do próprio Cristo.[31]

Para Moltmann a resposta da Teologia da Esperança para o sofrimento é: Deus sabe o que é sofrer e se importa com o sofrimento porque Ele mesmo sofreu, em esferas diferentes, na Paixão de Cristo.[32]Desta maneira mesmo em meio à sofreguidão Deus está com o cristão. Conforme expressou Dietrich Bonhöeffer: “Somente um Deus que sofre pode ajudar”.[33]

 

John Piper e a Alegria em meio ao Sofrimento

            Para Piper as experiências de sofrimento ameaçam a fé na bondade de Deus e tentam a abandonar o caminho da obediência.[34]Todo sofrimento no caminho do chamado cristão do cristão é “com Cristo” e “por Cristo”. Satanás se vale deste sofrimento para tentar destruir a fé, enquanto Deus[35]dirige este sofrimento para purificar a pessoa.[36]

            O sofrimento do cristão visa a ressurreição. Paulo escolheu sofrer porque ele tinha por vista a ressurreição. Se não fosse por este motivo ele poderia ser chamado de louco.[37]Mesmo a despeito da intensidade do sofrimento o cristão deve se alegrar em meio a este sofrimento. O único motivo real para o cristão sofrer e se alegrar neste sofrimento é a esperança da glória de Deus.[38]Piper pergunta: “Por que Paulo escolheu o sofrimento”? Talvez por obediência;[39]ou poderia ser para mostrar que ele era simplesmente um cristão;[40]quem sabe se não foi para se desvencilhar da autoconfiança;[41]pode também ter sido para engrandecer a Cristo como a máxima satisfação.[42]

            Através do sofrimento as aflições de Cristo[43]são estendidas àqueles que não O conhecem.[44]Segundo Piper “Nossos sofrimentos tornam conhecidos os sofrimentos de Cristo para que as pessoas possam ver o tipo de amor que Cristo oferece”.[45]Através do sofrimento dos cristãos as nações podem entender o sofrimento que Cristo teve por elas.

            Paulo se alegrava no sofrimento porque ele preenchia o que restava das aflições de Cristo.[46]O verdadeiro cristão encontra alegria e prazer no sofrimento.[47]Este é o milagre que exalta Cristo: não simplesmente o sofrimento, mas a alegria no sofrimento.[48]Esta alegria é obra do Espírito e exemplo para ser seguida.[49]

            A alegria no sofrimento é digna de admiração então ela deve ser buscada. Entretanto esta alegria é obra do Espírito. A alegria no sofrimento também deve ser buscada porque sua recompensa é grande. Os céus reservam os galardões para aqueles que sofreram. Mas a alegria no sofrimento também deve ser buscada porque ela aprofunda a certeza da esperança da glória de Deus.[50]Além disso os outros podem ver Cristo na vida do cristão através do sofrimento.

            O cristão não escolhe o sofrimento porque é mandado, mas porque Aquele que manda o apresenta como caminho para a alegria eterna. Ele pede a obediência não para demonstrar a força da dedicação do cristão ou cumprimento de dever, nem para manifestar o vigor da determinação moral, nem para verificar os limites da tolerância à dor, mas para manifestar na fé infantil a preciosidade infinita das Suas promessas que realizam completamente. Moisés “preferiu ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir os prazeres transitórios do pecado (...) porque contemplava o galardão” (Hb 11.25-26). Foi sua obediência, não somente a decisão de sofrer, que glorificou o Deus de glória e de graça.[51]A Teologia da Alegria responde ao sofrimento dizendo: Mesmo em meio ao sofrimento, regozije-se, alegre-se na esperança.

 

Leonardo Boff e a perspectiva da Teologia da Libertação sobre o auxílio ao que sofre

            A Teologia da Libertação encontra no peruano Gustavo Gutiérrez e no brasileiro Leonardo Boff seus principais representantes.[52]Na perspectiva da Teologia da Libertação o sofrimento é fruto da opressão das classes dominantes.[53]Há uma “percepção de realidades escandalosas”[54]que evidenciam o sofrimento dos oprimidos e opressão feita pelos dominantes.[55]

            A Teologia da Libertação “nasceu da fé confrontada com a injustiça feita aos pobres”.[56]À luz desta fé nasceu o Servo Sofredor: Jesus Cristo (Mt 25.31-46), que exige mais que uma contemplação, mas ação. Servir ao oprimido é uma liturgia que agrada a Deus. Não é agradável a Deus uma fé que apenas vê o sofrimento e não faz nada para aliviá-lo. O verdadeiro culto que agrada a Deus é aquele que age em favor dos sofredores e oprimidos. Para Shedd: “Quem tem um olho desvendado para contemplar a grandeza de Deus, terá o outro cheio de lágrimas pelos miseráveis e desesperados”.[57]Para os teólogos da libertação não há teologia da libertação sem envolvimento com os sofredores.[58]

            Apesar desta perspectiva tão interessante Leonardo Boff não vê Deus como “sofrendo junto com Jesus” na Paixão. A Teologia da Libertação se divide neste ponto. Enquanto alguns falam somente do sofrimento do Filho, outros ousam falar do “Deus crucificado”.[59]Para Boff:

Não devemos projetar em Deus os mecanismos geradores de dor, de cruz, de divisão, de ódio entre os homens. Numa palavra, não podemos ligar Deus e a cruz, como uma ligação em sua identidade divina. Se assim fôra estaríamos perdidos. Se Deus mesmo sofre em sua essência, se Deus odeia, se Deus crucifica, então estamos sem salvação. Pois ele seria simultaneamente bom e mau e estaríamos entregues à alternância eterna de bem e mal.[60]

            A Teologia da Libertação responde ao sofrimento dizendo: “Queremos lhe dar as mãos e agir para exterminar este sofrimento”.

 

Uma Proposta para uma postura cristã em meio ao sofrimento hoje

            A maioria dos teólogos cristãos entende que o sofrimento entrou na raça humana depois que o pecado entrou no mundo.[61] Para Stanley Jones o sofrimento é o mal que vem do meio exterior, do meio social e da natureza em contraposição com o mal que vem por livre escolha que é o pecado.[62] Para Barth, Deus também faz o mal e o sofrimento diretamente, pois Ele é soberano.[63] Seja o sofrimento oriundo do pecado ou uma casualidade, ninguém gosta de sofrer. Mas, e Kushner?

            Os holofotes teológicos puderam iluminar um pouco a questão do sofrimento. A proposta de Kushner foi que o sofrimento ocorre porque Deus não é onipotente. Porém esta não parece a conclusão certa, tampouco uma proposta para hoje.

            O sofrimento é fruto indireto do pecado que entrou na raça humana e, em muitos casos, fruto do livre-arbítrio do ser humano. Entretanto, não devemos ser “amigos de Jó” e, ao olharmos para um irmão em sofrimento, julgá-lo dizendo que, se ele assim está, é por ter cometido um pecado pontual contra a santidade divina. Todos, realmente, merecemos a morte por causa de nossos pecados de forma geral, entretanto, de uma forma específica, o sofrimento pode ter diversas causas (pecado, permissão Divina, ação de Deus para crescimento, etc.) e apenas Deus poderá, especificamente, esclarecer o Seu propósito.

Moltmann afirma que Deus não apenas se importa com o sofrimento como também sofre conosco. Piper vai além. O verdadeiro cristão deve se regozijar no sofrimento se alegrando na esperança do porvir.[64]Sem esta esperança a fé se torna vã a miséria encontra espaço. Para Boff não se deve apenas contemplar o sofrimento, mas vê-lo, julá-lo e agir para mudar. Desta maneira, sabendo que Deus se importa, o cristão deve se alegrar no sofrimento, fazendo de tudo para mudar esta condição.

            Ninguém está isento do sofrimento. Phillip Yancey afirma que só há um lugar no mundo onde não há dor: entre as paredes de um leprosário.[65]Tendo um Deus que se importa e sofre com, se regozijando na esperança e agindo em prol do que sofre pode ser uma tentativa de amenizar, passar pelo e, quiçá, vencer o sofrimento. Kushner não está certo. Nada foge ao controle de Deus e a esperança da glória moverá a todo aquele que nEle crê a não se entregar, mas olhando para Jesus, vencer.

            Prestar-se a alinhavar diferentes perspectivas sobre um tema amplia a visão. Novas luzes surgem assim como novas soluções. Pontos positivos e negativos podem ser enxergados com mais clareza. “O sofrimento de Deus”, “Há morte prematura?” e outros temas ainda podem ser estudados. O próprio tema ainda permite muitas questões. Ele é vasto e inesgotável. Somente naquele grande dia quando a fagulha do tempo se extirpar e os portões da eternidade se abrirem todo sofrimento cessará quando a frase tão esperada for ouvida: “Vinde benditos de Meu Pai para o reino que vos está preparado desde antes da fundação do mundo”.[66]

 


 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

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YANCEY, Phillip. Quando a vida nos machuca: Compreendendo o lugar de Deus em sua dor. SP: Vida, 2003.

 

 

 

 


   [1] Igreja Universal do Reino de Deus.

   [2] Vale salientar aqui o pensamento de Kierkegaard sobre doenças mortais: “Para o cristão, a própria morte é uma passagem para a vida. Desse modo, a nenhum mal físico ele considera doença mortal. A morte termina com as doenças, mas só por si não consitui um termo”. Cf. KIERKEGAARD, Sören. O Desespero Humano. SP: Martin Claret, 2003, p. 23.

   [3] Um livro que em sua época foi muito importante pela partilha do sofrimento de um pastor com os seus leitores foi BILL, Um pai chamado. Papai, estou grávida. SP: Vida, 1995.

   [4] Este foi um caso que chocou a população da cidade do Rio de Janeiro em 2003. Ela era universitária da Estácio de Sá e foi atingida por uma bala perdida ficando tetraplégica.

   [5] JONES, James. Por que as pessoas sofrem? O escândalo da dor neste mundo de Deus. SP: Abba, 1997, p. 13.

   [6] McGRATH, Alister E. Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica: Uma Introdução à Teologia Cristã. São Paulo: Shedd Publicações, 2005, p. 324.

   [7]A doutrina da impassibilidade ramificou-se em Patripassionismo e teopasquismo; o primeiro surgiu no século III e afirmava que o Pai sofrera como o Filho, ou seja, o Filho era um outro Modo de expressão do Pai. Era um modalismo. O teopasquismo surgiu no século VI e afirmava que uma das pessoas da Trindade foi crucificada. De início não aceita, reapareceu com Lutero ao falar do “Deus crucificado”. A idéia do Deus que sofre dá nova vida à doutrina do Teopasquismo. Cf. McGRATH, Alister E. Op. Cit, p. 329-330.

   [8]McGRATH, Alister E. Op. Cit, p. 325.

   [9]McGRATH, Alister E. Op. Cit, p. 329.

   [10] KUSHNER, Horold S. Quando coisas ruins acontecem às pessoas boas. Trad.: Francisco de Castro Azevedo. SP: Nobel, 1988.

   [11] “A idéia de que Deu8s dá às pessoas o que elas merecem, de que nossos desmandos causam nossas desgraças, de certa forma é uma solução tranquila e atraente para o problema, mas tem numerosas e sérias limitações. Ele ensina pessoas a se censurarem. Cria culpa mesmo onde não há razão para a culpa. Faz as pessoas odiarem Deus, embora odiando-se também a si mesmos. E, mais perturbador que tudo, nem sequer se adaptar aos fatos”. Cf. em KUSHNER, Horold S. Op. Cit., p. 19.

   [12]Para Meister Eckart, “A maneira mais rápida de se alcançar a perfeição é através do sofrimento”. Cf. HÄGLUND, Bengt. História da Teologia. Porto Alegre: Concórdia, 7a Ed., 2003, p. 177. Ireneu também acreditava que o sofrimento era apenas “um meio para alcançar o desenvolvimento espiritual da humanidade”. Cf. emMcGRATH, Alister E. Op. Cit, p. 345.  

   [13]KUSHNER, Horold S. Op. Cit., p. 26.

   [14] Para Shedd esta idéia é impossível. “É impossível concluir que o sofrimento ocorra por acaso”. Cf. SHEDD, Russel em Nenhum sofrimento é em vão no livro ANJOS, Wildo Gomes dos. Como Enfrentar o sofrimento. Goiânia: GO: MZ Produções Culturais, 2004, p. 90

   [15] “Alguns eventos não refletem as escolhas de Deus, eles ocorrem ao acaso”. Cf. KUSHNER, Horold S. Op. Cit., p. 58.

   [16] As idéias de Kushner são muito semelhantes às de Alfred Whitehead com sua Teologia do Processo e Clark Pinnock com o recente Teísmo Aberto, em que, defendem que Deus não pode forçar a natureza a obedecer Sua vontade Divina ou a Seu propósito.

   [17]KUSHNER, Horold S. Op. Cit., p. 115.

   [18]KUSHNER, Horold S. Op. Cit., p. 118. Evidentemente este pensamento de Kushner se coaduna com o Deísmo, doutrina que afirma que Deus criou o universo e o deixou entregue às suas leis naturais tendo Hume e Descartes como alguns de seus grandes expoentes.

   [19] MOLTMANN, Jürgen. Teologia da Esperança: estudos sobre os fundamentos e as conseqüências de uma escatologia cristã. Trad.: Helmuth Alfredo Simon.  SP: Novo Século, 2003, p. 11.

   [20] MOLTMANN, Jürgen. Op. Cit., p. 13.

   [21] Deus teria que estar acima de todo o sentimento, pois os sentimentos são mutáveis e Deus é imutável. Sua liberdade consistiria em não mudar. Desde Aristóteles esta idéia grassou. Para o mundo grego o homem deveria levar em sua vida em apathia e praticar a ataraxia, ou seja, estar na esfera do Logos

   [22]MOLTMANN, Jürgen. Trinidad y reino de Dios. Salamanca: Ediciones Sigueme, 1986, p. 36.

   [23] Frase proferida pelo Prof. Dr. Edson Fernando de Almeida em Palestra para a turma de Mestrado do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil em 26 de Março de 2005.

   [24]MOLTMANN, Jürgen. Op. Cit, p. 28.

   [25]MOLTMANN, Jürgen. Op. Cit., p. 37.

   [26]MOLTMANN, Jürgen. Op. Cit., p. 38.

   [27]Mt 23.37.

   [28]MOLTMANN, Jürgen. Op. Cit., p. 40.

   [29]MOLTMANN, Jürgen. Op. Cit., p. 46.

   [30] “Moltmann usa esse episódio para defender a tese de que, por intermédio da cruz de Cristo, Deus experimenta a morte, sendo afetado por ela. Deus sabe o que é a morte”. Cf. McGRATH, Alister E. Op. Cit, p. 332.

   [31] Para Jones “O próprio Deus se une a nós quando sofremos”. Cf. JONES, James. Op. Cit., p. 42.

   [32] Ver também a excelente obra de LUCADO, Max. Ele escolheu os cravos. RJ: CPAD, 2002. Lucado fala do sofrimento de Cristo na cruz, o porquê deste sofrimento e nossa identificação com Ele.

   [33] BONHÖEFFER, Dietrich citado em JONES, James. Op. Cit., p. 42.

   [34]PIPER, John. Teologia da Alegria. SP: Shedd Publicações, 2001, p. 218.

   [35] Para Jim Lang “não é Deus quem causa nossas calamidades”. Cf. LANG, Jim. Por que Deus o permitiu? Histórias verdadeiras de fé sincera em meio à crise. SP: Vida, 1999, p. 44.

   [36]PIPER, John. Loc. Cit.

   [37]1Co 15.19, 29-31, Fp 3.7-11.

   [38]PIPER, John. Op. Cit., p. 222; Cf. Lc 6.22, 33, 35, 14.14, Rm 8.18, 2Co 4.16-18.

   [39]At 9.15-16.

   [40]Mt 24.9, Lc 9.23-24, 10.3, 21.16, Jo 15.20, At 14.22, 1Co 4.16, 15.31, 1Ts 3.3, 2Tm 3.12.

   [41]2Co 1.8-9.

   [42]2Co 12.9-10, Hb 4.15, 5.8.

   [43]Rm 5.19, Cl 1.24.

   [44]PIPER, John. Op. Cit., p. 225.

   [45]PIPER, John. Op. Cit., p. 233.

   [46] “Regozijo-me nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne.” Cl 1.24

   [47] Bonhoeffer pensava de maneira semelhante. Para ele, o sofrimento era uma bênção por causa do renascimento que podia advir dele. Cf. BONHOEFFER, Dietrich. Ética. Origin.: 1949. São Leopoldo: Sinodal, 1985, p. 63.

   [48]PIPER, John. Op. Cit., p. 236.

   [49]PIPER, John. Loc. Cit..

   [50]Rm 5.3-4.

   [51]PIPER, John. Op. Cit., p. 240.

   [52] Suas raízes históricas se remontam à tradição profética de missionários e evangelizadores que questionavam a igreja colonizadora. A efervescência político-social de 50 e 60 que consectuou na ditadura, jungida à revolução cubana prepararam o cenário. Teologicamente influenciada pela grande liberdade e criatividade que se desenvolveu a partir do Concílio Vaticano II (1962 – 1965) propiciou aos teólogos da América Latina coragem para pensar. Teólogos latino-americanos começaram a se encontrar aprofundando reflexões. Após um congresso em Medelín (1968) e um em Cartigny na Suíça (1969) em que Gutiérrez e outros propuseram um primeiro delineamento para uma Teologia da Libertação, em 1970 em Bogotá se celebrou o primeiro congresso da Teologia da Libertação.

   [53] Um bom exemplo de até que ponto as classes dominantes podem fazer sofrer as classes dominadas está na excelente obra: LUTZER, Erwin W. A Cruz de Hitler: como a cruz de Cristo foi usada para promover a ideologia nazista. SP: Vida, 2003.

   [54] BOFF, Leonardo & BOFF, Clodovis. Como fazer teologia da libertação. 8a. Ed. Petrópolis: RJ: Vozes, 2001, p.13.

   [55] Para Boff “A história vista a partir dos grupos dominados dos sem história e das ruínas deixadas pelos esclarecidos e progressistas, emerge como história do sofrimento sangrento e da culpa recalcada”. Cf. em BOFF, Leonardo. Teologia do Cativeiro e da Libertação. Petrópolis: RJ: Vozes, 1983, p. 19.

   [56] “Não o proletariado de Marx, mas os operários, os subempregados, os marginalizados, os bóias-frias, os peões e os pesseiros”, p. 15. Mais adiante Boff desenvolve o conceito açambarcando os negros (discriminação racial), os índios (discriminação étnica), as mulheres (discriminação sexual), crianças, idosos, e outros grupos. O pobre sócio-econômico é muito encontrado aqui na América Latina, mas há outros tipos de pobres em outros continentes, por isso o conceito “pobre” é melhor entendido quando a palavra aplicada é “oprimido”. Boff ainda fala sobre o “pobre evangélico” que é aquele que quer a justiça social para todos. Cf. BOFF, Leonardo & BOFF, Clodovis. Op. Cit., p. 80.

   [57]SHEDD, Russell Phillip. Adoração Bíblica. SP: Edições Vida Nova, 1987, p. 20.

   [58] Karl Marx defendia que a religião, de modo geral, procurava confortar aqueles que passavam por sofrimento neste mundo, ao persuadi-los da idéia de uma vida feliz após a morte. Ao faze-lo, a religião os desviava da tarefa de transformar o mundo, de forma a eliminar o sofrimento existente. De certo modo, é possível considerar o marxismo como uma espécie de secularização da escatologia cristã, o qual tem na “revolução” um correspondente secularizado do céu. Cf. McGRATH, Alister E. Op. Cit, p. 632.

   [59] TAVARES, Sinivaldo S. A Cruz de Jesus e o sofrimento no mundo. Petrópolis: RJ: Vozes, 2002, p. 88.

   [60] BOFF, Leonardo. Paixões de Cristo – Paixão do Mundo. Os fatos, as interpretações e o significado ontem e hoje. Petrópolis: RJ: Vozes, 1977, p. 142. Sobrino descorda de Boff entendendo que Deus sofre com Cristo na cruz pois Deus ama. É impossível amar sem sofrer. Neste sentido, a morte de Jesus na cruz vem ser a expressão mais completa da credibilidade do amor de Deus por toda a humanidade e para com cada ser humano. Cf. SOBRINO, J. Jesus Cristo Libertador: leitura histórico-teológica de Jesus de Nazaré. Petrópolis: RJ: Vozes, 1993, p. 312; TAVARES, Sinivaldo S. Op. Cit., p. 90.

   [61] FITCH, William. Deus e o mal: Estudos sobre o mistério do sofrimento e da dor. SP: PES, 1984, p. 56.

   [62] JONES, E. Stanley. Cristo e o Sofrimento Humano. SP: Vida, 1991, p. 16.

   [63]McGRATH, Alister E. Op. Cit, p. 347.

   [64] Jones concorda com Piper na conclusão de sua obra quando afirma que “o estóico suporta, o epicureu procura gozar, o budista e o hindu retiram-se desiludidos, o maometano submete-se, mas somente o cristão exulta”. Cf. JONES, E. Stanley. Op. Cit, p. 154.

   [65] YANCEY, Phillip. Quando a vida nos machuca: Compreendendo o lugar de Deus em sua dor. SP: Vida, 2003, p. 15.

   [66] Mt 25.34.


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